
Imobiliária: vídeos para 40 anúncios por mês sem equipe de filmagem
A história de uma imobiliária que passou de vídeos esporádicos a vídeos para cada anúncio — e o que precisou ser ajustado depois de um primeiro mês frustrante.

A história de uma imobiliária que passou de vídeos esporádicos a vídeos para cada anúncio — e o que precisou ser ajustado depois de um primeiro mês frustrante.
Um corretor com quem trabalhamos há mais de um ano disse, em certo momento, algo que nos chamou a atenção: “Tenho 40 imóveis em carteira ao mesmo tempo, mas só faço vídeos uma vez por trimestre, quando finalmente consigo reservar um dia para o cinegrafista”. A imobiliária é pequena — não uma rede nacional, mas uma equipe de seis corretores em uma única cidade — e contratar um cinegrafista para cada anúncio era caro e, pelos prazos, fisicamente inviável: enquanto a gravação era combinada, o imóvel já podia sair de venda.
O objetivo parecia simples, mas não foi resolvido de primeira: fazer com que cada anúncio — ou seja, 30 a 40 imóveis por mês — tivesse seu próprio vídeo curto, sem a participação de um cinegrafista e de um editor em cada vídeo.
O material dos vídeos eram as fotos que os corretores já tiravam com o celular durante as visitas aos imóveis, além do texto descritivo que escreviam para o anúncio. Não foi preciso coletar nada novo — esse foi o principal argumento para tentar a ideia. O texto do anúncio servia como fonte e, em seguida, era transformado pela IA em um roteiro para a narração.
Para a voz, escolhemos não usar uma opção da biblioteca, mas clonar a voz do principal corretor da imobiliária. Essa decisão foi tomada desde o início porque, no mercado imobiliário, a confiança pessoal em alguém específico importa mais do que uma narração bonita e impessoal. Os clientes já reconheciam a voz desse corretor havia anos durante as visitas, então fazia sentido mantê-la nos vídeos.
O primeiro lote, com cinco vídeos, funcionou tecnicamente, mas apresentou um problema que não tínhamos previsto: as fotos dos imóveis eram tiradas com o celular em formatos horizontais ou verticais, sem um padrão, e algumas delas, ao serem editadas para o formato vertical das redes sociais, viravam panorâmicas mal recortadas dos cômodos — justamente a parede com a janela que valorizava o apartamento acabava ficando de fora.
Resolvemos o formato das imagens separadamente do formato do vídeo: ajustamos a proporção das imagens para que as fotos horizontais dos cômodos não fossem cortadas de forma estranha para caber em um vídeo vertical, mas sim enquadradas com respeito à imagem — sem esticar nem cortar partes importantes do interior. Esse ajuste foi feito no nível do projeto, e não manualmente em cada foto, o que era essencial diante daquele volume.
O segundo ponto foi a narração. Os primeiros vídeos soavam animados demais para um público que procura um lar para a família e quer um tom tranquilo e acolhedor, não uma abordagem de propaganda agressiva. Mudamos o ritmo da narração do padrão para um mais tranquilo — e isso alterou imediatamente a sensação transmitida pelos vídeos, embora o texto tenha mudado muito pouco.
O terceiro ponto: antes da narração, números e endereços nas descrições — área, andar, preço, número do imóvel — às vezes soavam estranhos quando o mecanismo de voz os lia exatamente como estavam escritos. Ativamos a normalização do texto antes da narração, que converte os números em palavras de forma adequada para a fala. Parece um detalhe, mas era justamente isso que deixava os primeiros rascunhos um pouco mecânicos, e os corretores perceberam logo ao ouvi-los.
Também tivemos que ajustar as legendas. Parte do público da imobiliária assiste aos vídeos no Telegram, com o som desligado enquanto está na rua, por isso as legendas não são opcionais: são obrigatórias. Por padrão, as legendas de alguns vídeos cobriam o endereço do imóvel, que o corretor havia destacado de propósito em uma foto. Resolvemos isso movendo manualmente a área segura das legendas — uma região ajustável em que o texto fica sem sobrepor partes importantes da imagem. Configuramos uma vez para o formato vertical e, desde então, simplesmente reutilizamos.
Os vídeos ficaram curtos e seguiram uma estrutura uniforme: alguns segundos mostrando o imóvel por fora, um passeio pelos cômodos com as principais características e, no final, um convite para agendar uma visita. Foi útil configurar a chamada para ação no nível do projeto: todos os vídeos da imobiliária passaram a usar um convite único e consistente, direcionando o público para o agendamento de uma visita, sem que cada corretor precisasse inventar uma frase diferente.
Os vídeos são publicados no canal da imobiliária no Telegram e no grupo do VK, com um texto descritivo específico para cada plataforma: no Telegram, uma legenda curta com o endereço e o preço; no VK, uma descrição um pouco mais detalhada. A publicação é automatizada para cada imóvel assim que o vídeo fica pronto, sem a necessidade de enviar arquivos manualmente entre os corretores e o profissional de mídias sociais — uma função que simplesmente não existe como cargo separado em uma equipe de seis pessoas.
Nos primeiros três meses completos após os ajustes, a imobiliária passou a publicar vídeos para cerca de 30 a 40 imóveis por mês — em comparação com quatro ou cinco vídeos por trimestre antes disso. O número de visualizações é modesto; não se trata de um alcance nacional, mas houve um aumento perceptível nos pedidos de visita para os imóveis que ganharam vídeo, em comparação com os que não tinham. Os próprios corretores começaram a notar essa diferença e a pedir vídeos até para imóveis que antes consideravam “comuns demais para dar esse trabalho”.
Se fôssemos começar de novo, configuraríamos a proporção das imagens e a área segura das legendas antes do primeiro lote, em vez de esperar as reclamações dos corretores sobre imagens cortadas. O lote de teste com cinco vídeos, usando imóveis reais em vez de exemplos escolhidos para a ocasião, valeu a pena: foi ele que revelou problemas com o enquadramento e o ritmo que não eram evidentes no papel.
Nossa principal conclusão não tem a ver com a tecnologia, mas com o processo: para um volume como esse — 40 imóveis por mês —, a única abordagem que funciona é integrar o vídeo ao fluxo de trabalho que o corretor já segue (ele já tira fotos e escreve descrições), em vez de acrescentar uma etapa separada. Assim que o vídeo virou um subproduto do trabalho cotidiano, e não uma tarefa adicional, o volume cresceu por conta própria, sem pressão da gerência.
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